Há anos o mundo dos vampiros não estava tão na moda. Graças à escritora Stephenie Meyer e sua Saga Crepúsculo os seres noturnos sugadores de sangue voltaram para aterrorizar, ou melhor, para encantar e apaixonar os vivos.
CRENÇAS E TRADIÇÕES
Alguns autores acreditam que a palavra vampiro vem do húngaro, já outros acreditam que seja anterior aos húngaros e venha da palavra turca "urbe" (feiticeiro). Em todo caso, a lenda dos vampiros surgiu no Ocidente, por volta do século XVII.
No inicio, as pessoas acreditavam que os vampiros eram almas dos suicidas e dos bandidos condenados à morte. Segundo a tradição, seus corpos não se decompunham até completar o período de vida pré-estabelecido. Assim, eles despertavam no meio da noite e saiam em busca de vítimas para sugar-lhes o sangue. Depois de saciados, eles voltavam para o túmulo e ficavam em animação suspensa, até que a fome os levasse a matar novamente. A imagem dos vampiros nessa época era associada a pessoas com lábios leporinos, pelos nas palmas das mãos, olhos azuis e cabelos vermelhos. Voltaire escreveu sobre vampiros no seu Dicionário Filosófico. Segundo ele, "Estes vampiros eram corpos que saem das suas campas de noite para sugar o sangue dos vivos, nos seus pescoços ou estômagos, regressando depois aos seus cemitérios".
No Mediterrâneo, o mito é milenar. O grego Aristófanes já havia escrito sobre eles na peça teatral "As Rãs". Nela, a vampira era a filha de Hecate, que seduzia homens para alimentar-se de seu sangue e permanecer sempre bela e jovem. Acredita-se que o mito do vampiro tenha chegado à Europa pela rota da seda, espalhando-se principalmente entre os eslavos. Nessa época, os vampiros eram fantasmas de pessoas mortas, principalmente bandidos, bruxas e suicidas.
Na mesma época, o cristianismo e o mito vampiresco foi se adaptando à nova crença. É quando surge, por exemplo, a ideia de que o crucifixo seria uma arma contra sugadores de sangue.
Segundo a tradição, a única forma de matar definitivamente um vampiro era descobrir o seu túmulo e enfiar uma estaca em seu coração.
Durante séculos os vampiros eram nada mais que monstros. A imagem do vampiro sexy só surgiria depois, com o romance Drácula, de Bram Stoker. Muito disso devido à associação com o beijo. Acreditava-se que, através dele, era possivel roubar a vida de uma pessoa. Alguns povos africanos acreditavam que o beijo era um ato diabólico e que a pessoa beijada teria sua alma absorvida. Entre os astecas, o beij sibolizava a oferta ritual de uma pessoa que seria sacrificada aos deuses.
Em muitas culturas, o sangue simboliza a vida, a paixão, o poder e a força. A cor vermelha é historicamente associada tanto ao perigo quanto ao sexo. Na época da ditadura e da censura, quando as revistas ,asculinas podiam mostrar muito pouco, os fotógrafos "estouravam" a cor vermelha para dar sensualidade às fotos. A relação com o perigoficou clara numa campanha contra a violência no trânsito vermelho transforma-se numa bolsa de sangue.
Assim, o ato do vampirismo é uma troca de fluidos, como o sexo, e como no sexo, o liquido trocado é ligado à vida. Mas, por outro lado, é também associado ao medo. É possível que o fascínio dos vampiros esteja justamente na associação de vida e morte, sexo e horror. Eros(deus grego do amor e do erotismo) e Tânatos (encarnação grega da morte), representam justamente essas duas facetas da realidade que parecem unir-se no mito vampiresco.
Assim, o mito do vampiro fala sobre verdades universais que são igualmente tabus e com as quais os adolescentes precisam lidar, embora muitas vezes não possam fazer diretamente com elas. Stephenie Meyer e a Saga Crepúsculo inovam justamente aí, reformulando o mito vampírico, acrecentando toques profundamente românticos e atuais, dialogando diretamente com o público adolescente do novo século.